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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Projeto Africa - filosofia

A origem africana da filosofia

A origem africana da filosofia
 

A tese da origem egípcia da Filosofia, das ciências e da arte em geral é confirmada pelos próprios autores gregos, sejam eles historiadores ou filósofos, alguns dos quais nunca fizeram mistério em volta das suas fontes e do lugar de sua formação filosófica. Cheikh Anta Diop, o fundador da egiptologia africana, foi sem duvida quem dedicou maior parte do seu tempo a essa questão histórica e filosófica fundamental e sua pesquisa foi continuada pelo seu discípulo Théophile Obenga. Obenga, na sua recente obra O Egito, a Grécia e a Escola de Alexandria, demonstrou, para além da origem egípcia da filosofia grega e, portanto, falando dela como um pensamento intercultural, trata também de maneira exaustiva a questão da estada por parte de muitos filósofos e homens de ciência grega no Egito, onde foram instruídos pelos sacerdotes dos Templos da Vida nas diversas escolas do Pensamento filosófico egípcio-faraônico. Trata-se de Tales, Sólon, Platão e, sobretudo, Pitágoras que, segundo os historiadores, estudou cerca de 23 anos no Egito.
Obenga demonstrou ainda a influência do pensamento egípcio nas reflexões de muitos filósofos e pensadores do mundo grego, tais como Anaximandro, Anaxímenes, Aristóteles, Demócrito, Empédocles, Anaxágora, Heráclito, Xenófones de Colofon e tantos outros. Crantor, primeiro crítico de Platão, narrava que os contemporânea de Platão riam dele por ter copiado sua República das instituições egípcias. Poder-se-ia também citar Aristóteles que, alem de discípulo de Platão, estudou com Eudosso de Cnido, o qual, por sua vez passou seis meses estudando Matemática e Astronomia com os sacerdotes egípcios. As descobertas egípcias não se restringiam somente aos números ou aos astros, mas formularam hoje aquilo que se tornou uma das conquistas mais significativas da humanidade, ou seja, o método científico chamado tep-hesed (o método correto e as regras para estudar a natureza).
Esse método do tep-heseb no Egito faraônico se tornou logos (razão) na antiga Grécia, razão teorética (teórica), discursiva e experimental na Europa depois de Galileu Galilei e, com Descartes, a lógica das idéias claras e distintas. O Egito faraônico foi ainda o precursor de muitas idéias que os gregos desenvolveram, como, por exemplo, a imortalidade da alma.
[A relação intelectual entre o Egito e a Grécia]
“As possibilidades das relações intelectuais entre o Egito e a Grécia é um fato histórico [...] São os próprios gregos que reivindicam para os egípcios a invenção da matemática, da astronomia, do direito, das instituições políticas, da medicina, da teologia, das artes plásticas, da sabedoria, da filosofia, dos jogos sociais. O entusiasmo dos gregos para com o saber do Vale do Nilo transformou-se até numa legenda: todos os sábios gregos ainda que não tinha isso até lá acreditavam na obrigação de passar algum tempo de estudo no país dos Faraós. Isso demonstra a força de atração que o Egito representava para os intelectuais gregos. [...] Antes dos seus contatos com os egípcios, os gregos não tinham praticamente não tinham contribuído em nada no antigo mundo Mediterrâneo. Trata-se de uma evidência histórica. [...] A Grécia deve ao Egito os seus primeiros filósofos. O pensamento egípcio exerceu uma certa influencia sobre o pensamento grego da mesma forma com hoje as ciências e as tecnologias norte-americanas dominam o mundo inteiro. Na antiguidade a supremacia cientifica do Egito não tinha equivalente na Grécia. Mas a escritura da história da humanidade segundo as temáticas indo-européias exclusivas obscureceu voluntariamente os fatos que, noentanto são tão evidentes.” (Théophile Obenga. O Egito, a Grécia e a Escola de Alexandria).


 
Períodos da Filosofia Africana


1) Filosofia etíope e núbia caracterizada essencialmente por uma reflexão filosófica sobre grandes questões éticas
2) Filosofia egípcia faraônica, período em que se destacam quatro escolas: a Escola de Menfis, a Escola de Heliópolis a Escola de Hermópolis, a Escola de Tebes. Nesta escola se destacam grandes filósofos como Imhotep, Kagamnes, Merikare, Amenemhat, Amenhotep, Dualf, Anemope Akhenatem, que deixaram grandes sobras que influenciam o patrimônio filosófico atual.
3) Filosofia de Alexandria, de Cirene, de Cartago e de Hipona. Um dos mais famosos filósofos deste período é Santo Agostinho.
4) Filosofia Magrebina.
5) Filosofias das escolas medievais de Tombouctu.
6) Filosofia africana moderna e contemporânea.


Fonte: Revista de Filosofia. Editora Escala. São Paulo, Ano II, Nº14, páginas 58-59.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Guia de Profissões 2014: Filosofia

Guia de Profissões 2014: Filosofia infoENEm


Filosofia estuda a existência, o conhecimento, a verdade, os valores morais e estéticos, a mente e a linguagem. Se afasta da mitologia ao dar ênfase em argumentos racionais e se diferencia da ciência por não utilizar procedimentos e experiências sensoriais para investigação de seu estudo. A carreira do filósofo pode ser construída em instituições científicas, artísticas e culturais através de pesquisa e consultoria ou em projetos educacionais.
Em épocas de mudanças sociais e culturais, esse profissional também pode ser requisitado em jornais, revistas e telejornais para analisar notícias e mostrar ao público uma reflexão filosófica dos fatos sociais.
Para compartilhar sua vivência nesse curso, trazemos hoje uma entrevista com Vinicius Pintor, graduando em Filosofia na Universidade Federal do ABC (UFABC).

1- Por que escolheu o curso de Filosofia?
A escolha do curso se deu pela identificação que tenho com a área de estudo da filosofia desde o Ensino Médio. Não somente pelo conteúdo dado em sala de aula, mas por leituras, que mesmo de maneira indireta, abordavam os temas. Acredito que a identificação com o que se vá estudar na graduação deva ser o fator principal na escolha do aluno.

2- Na prática, sua visão sobre o curso mudou? Conte-nos um pouco sobre sua rotina.
Quando ingressei no curso, não sabia ao certo o que esperar, por isso creio que minha visão do curso se mantém, em especial a minha afinidade com ele. A rotina das diferentes matérias não costuma variar muito. Em resumo, escolhemos algumas obras de algum autor, as lemos e estudamos. Provas não são comuns, apresentações e trabalhos escritos sim. O curso possibilita atividades extracurriculares envolvendo docência, ou seja, dar aulas, seja como professor propriamente dito ou como auxiliar. Eu, particularmente, dou aulas de filosofia em um cursinho comunitário, a Escola Preparatória da UFABC, experiência que para mim é extremamente enriquecedora.

3- Quais os principais benefícios e dificuldades de fazer esse curso?
Acredito que o curso de filosofia vai muito além do estudo dentro do ambiente acadêmico. Ele oferece ferramentas para que o aluno tenha uma capacidade de análise crítica forte, tendo meios para se expressar com qualidade. A maior dificuldade talvez seja externa ao curso: o preconceito que infelizmente existe com quem opta por ser professor e, em especial, estudar filosofia.

4- Quais as principais características que você acredita serem necessárias para quem escolher esse curso?
O curso exige muita leitura e o ingressante deve estar ciente disso. Mas, em suma, não acredito que existam características necessárias além do interesse pelo conteúdo. Tudo o que for necessário poderá ser aprendido durante a graduação.

5- Gostaríamos que você desse dicas, conselhos ou qualquer outro tipo de informação que ajude nossos leitores a decidir seguir (ou não) a sua profissão.
Meu conselho é que o leitor com vontade de cursar filosofia não desista por pressões externas. Coloque sua vontade e bem-estar em primeiro plano. Oportunidades para um bom profissional não faltam, para qualquer área que seja.


Agradecemos muito ao Vinicius Pintor pelas valiosas dicas sobre a carreira de Filosofia.