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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Projeto Africa - sociologia

Estrupro "corretivo" na Africa do Sul

Uma sugestão para debate em sala de aula são os estrupros "corretivos" praticados na África do Sul.
Abaixo um texto conceitual, outros dois noticiários e, por fim,  possíveis questões para o debate.
 Texto para esclarecimento:
Estupro corretivo é uma prática criminosa, segundo a qual um ou mais homens estupram mulheres lésbicas ou que parecem ser, supostamente como forma de "curar" a mulher de sua orientação sexual.
O termo "estupro corretivo" foi usada pela primeira vez no início de 2000 por direitos humanos de organizações não-governamentais para descrever esses estupros cometidos contra Sul Africanas lésbicas
Um ataque notável deste tipo foi em 2008, quando Eudy Simelane, um membro da mulher da equipa nacional de futebol da África do Sul e uma representante LGBT ativista dos direitos humanos na África do Sul, foi estuprada e assassinada em KwaThema, Gauteng.
 (LGBT ou ainda, LGBTTTs, é o acrónimo de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (o 's' se refere aos simpatizantes). Embora refira apenas seis, é utilizado para identificar todas as orientações sexuais minoritárias e manifestações de identidades de género divergentes do sexo designado no nascimento).
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Estupro_corretivo
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Texto noticiado na mídia: 
Publicado em 15/3/2009 às 01:05
África do Sul: Cresce número de “estupros corretivos”
De 25 homens acusados, 24 são absolvidos; estimativa é que 500 mil estupros acontecem por ano no país.
De acordo com o grupo de direitos humanos ActionAid, em Joanesburgo e Cidade do Cabo, é crescente o número de ataques homofóbicos e estupros contra mulheres homossexuais como forma de punição ou “cura”.
Um dos grupos de defesa de lésbicas e gays declara que lidam com 10 novos casos de mulheres vítimas de “estupros coletivos” por dia, apenas na Cidade do Cabo. A estimativa é que 500 mil estupros acontecem na África do Sul todo ano e que para cada 25 homens acusados de estupro, 24 são absolvidos.
A maioria das vítimas declara que os estupradores dizem estar “ensinado uma lição a elas” ou mostrando como ser “uma mulher de verdade”. Zanele Twala, diretora do ActionAid da África do Sul, diz que “os chamados ‘estupros corretivos’ é uma manifestação grotesca da violência contra a mulher, a mais difundida violação dos direitos humanos no mundo de hoje. Esses crimes continuam crescendo e impunes, enquanto o governo simplesmente fecha os olhos”.
Uma das vítimas disse ao ActionAid: “Nós somos insultadas todos os dias, batem em nós quando andamos sozinhas na rua. Você é constantemente lembrada de que merece ser estuprada. Eles acreditam que se te estuprarem, você vai virar hétero, comprar saias e começar a cozinhar, porque você terá aprendido como ser uma mulher de verdade.”
No mais, o número real de mulheres assassinadas deve ser muito maior do que os dados revelam, porque os crimes de ódio com base na orientação sexual não são reconhecidos no sistema legal do país.
Fonte:http://dykerama.uol.com.br/
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Uganda: Jornal promove caça a homossexuais!

Publicado a 22 Outubro 2010
Kampala, Uganda - Uma nota em primeira página de um jornal apresentou uma lista com 100  "top" homossexuais de Uganda. A lista trazia fotos, nomes e endereços. Isso foi o bastante para que uma nova "caça as bruxas" tivesse início.
Desde o dia em que a nota foi publicada, pelo menos quatro gays que constavam na lista, foram atacados e muitos outros estão na clandestinidade, segundo a ativista Julian Onziema. Uma pessoa chegou a atirar pedras em sua casa.
Um legislador desse conservador país Africano, apresentou um ano atrás um projeto de lei que previa pena de morte para alguns atos homossexuais e prisão perpétua para outros. Um alvoroço internacional se seguiu, e o projeto foi silenciosamente arquivado. No entanto, os gays de Uganda dizem ter enfrentado um ano de forte assédio e ataques desde a introdução do projeto.
A legislação foi elaborada após a visita de líderes da "U.S. conservative Christian ministries", que dizem promover uma terapia para que gays se tornem heterossexuais.
"Antes da introdução do projeto de lei no Parlamento, a maioria das pessoas não se mentiam em nossas atividades. Mas, desde então, temos sido assediados por muitas pessoas que odeiam a homossexualidade", disse Patrick Ndede de 27 anos. "A publicidade do projeto chamou a atenção sobre nós e eles começaram a nos maltratar."
Mais de 20 homossexuais foram agredidos no ano passado, em Uganda, e mais 17 foram presos, disse Frank Mugisha, presidente do grupo "Sexual Minorities Uganda". Esses números estão acima do mesmo período de dois anos atrás, quando cerca de 10 homossexuais foram atacados, acrescentou.
O projeto tornou-se politicamente danoso após a condenação internacional. Muitos ativistas gays denunciaram, e o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, assinalou aos legisladores que não deveriam levar o projeto adiante.
A homofobia é abundante em muitos países Africanos. A homossexualidade é punida com a morte ou a prisão, na Nigéria. Na África do Sul, o único país Africano a reconhecer o casamento gay, gangues realizam os chamados estupros "corretivos" de lésbicas.
Em 9 de outubro, o artigo de um jornal ugandense chamado "Rolling Stone", não confundir com a famosa revista norte americana, foi publicado cinco dias antes do aniversário de um ano da controversa legislação. O artigo afirmava que uma doença desconhecida, mas mortal, estava atacando homossexuais em Uganda, e que gays estariam recrutando 1 milhão de crianças nas escolas.
Depois de o jornal chegar as ruas, o governo ordenou que o jornal cessasse a publicação, não por causa do conteúdo, mas sim por que o jornal não tinha registro com o governo. Após completar a papelada, o Rolling Stone vai ficar livre para ser publicado novamente ", disse Paul Mukasa, secretário do Conselho de Comunicação Social.
Esta decisão irritou ainda mais a comunidade gay. Onziema disse que uma ação judicial contra o jornal Rolling Stone está em andamento, mas ela acredita que a publicação vá apresentar o seu registro e voltar a publicar novamente.
"Esse tipo de mídia não deveria ser permitido em Uganda. É pura incitação a violência e fomenta o genocídio de minorias sexuais", disse Mugisha. "Os agentes da lei e do governo deveriam proteger as minorias sexuais de tais publicações."
O editor-chefe do jornal, Giles Muhame, disse que o artigo era "de interesse público." "Nós sentimos que a sociedade precisava saber que tais personagens existem entre eles. Alguns deles recrutam jovens e crianças para a homossexualidade, o que é ruim e precisa ser exposto", disse ele. "Eles se aproveitam da pobreza para recrutar ugandenses. Nós o fizemos porque a homossexualidade é ilegal, inaceitável e um insultos ao nosso estilo de vida tradicional."
Os membros da comunidade gay expostos no artigo enfrentaram o assédio de amigos e vizinhos. Onziema disse que o projeto de lei já levou a desocupação de apartamentos, a intimidação na rua, prisões ilegais e agressões físicas.
"Nós somos uma espécie em extinção no nosso país", disse Nelly Kabali 31anos. "Estão nos olhando como se fôssemos marginais. Uma vez eu estava em uma boate com um amigo quando alguém que me conhecia me apontou para gritar: " Há um gay! " As pessoas queriam me bater, mas fui salvo por um segurança que me levou para fora."
Uganda tem cerca de 32 milhões de habitantes, onde cerca de 85 por cento são cristãs e 12 por cento são muçulmanos. Uganda ocupava em 2005 a 144º posição no IDH(Índice de desenvolvimento humano), que tem 177 posições. População subnutrida: 15%, esperança de vida ao nascer: 50,5 anos, domicílios com acesso a água potável: 64%, domicílios com acesso a rede sanitária: 33% e índice de analfabetismo de 27% dos habitantes com idade superior a 15 anos.
Não é muito difícil, analisando esses números, identificar do porquê de Uganda ser um país tão homofóbico.Divulgar é uma ótima arma contra o preconceito
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 Questões para debate:
 1. Qual a intenção daqueles que cometem o estupro corretivo? Em sua opinião, é uma atitude aceitável?
2. Quais as possíveis motivações (sociais) desses estupros corretivos?
3. Se atos como esse tratasse de uma manifestação cultural/social não seria desrespeito ir contra a tradição desse povo?

Projeto Africa - filosofia

A origem africana da filosofia

A origem africana da filosofia
 

A tese da origem egípcia da Filosofia, das ciências e da arte em geral é confirmada pelos próprios autores gregos, sejam eles historiadores ou filósofos, alguns dos quais nunca fizeram mistério em volta das suas fontes e do lugar de sua formação filosófica. Cheikh Anta Diop, o fundador da egiptologia africana, foi sem duvida quem dedicou maior parte do seu tempo a essa questão histórica e filosófica fundamental e sua pesquisa foi continuada pelo seu discípulo Théophile Obenga. Obenga, na sua recente obra O Egito, a Grécia e a Escola de Alexandria, demonstrou, para além da origem egípcia da filosofia grega e, portanto, falando dela como um pensamento intercultural, trata também de maneira exaustiva a questão da estada por parte de muitos filósofos e homens de ciência grega no Egito, onde foram instruídos pelos sacerdotes dos Templos da Vida nas diversas escolas do Pensamento filosófico egípcio-faraônico. Trata-se de Tales, Sólon, Platão e, sobretudo, Pitágoras que, segundo os historiadores, estudou cerca de 23 anos no Egito.
Obenga demonstrou ainda a influência do pensamento egípcio nas reflexões de muitos filósofos e pensadores do mundo grego, tais como Anaximandro, Anaxímenes, Aristóteles, Demócrito, Empédocles, Anaxágora, Heráclito, Xenófones de Colofon e tantos outros. Crantor, primeiro crítico de Platão, narrava que os contemporânea de Platão riam dele por ter copiado sua República das instituições egípcias. Poder-se-ia também citar Aristóteles que, alem de discípulo de Platão, estudou com Eudosso de Cnido, o qual, por sua vez passou seis meses estudando Matemática e Astronomia com os sacerdotes egípcios. As descobertas egípcias não se restringiam somente aos números ou aos astros, mas formularam hoje aquilo que se tornou uma das conquistas mais significativas da humanidade, ou seja, o método científico chamado tep-hesed (o método correto e as regras para estudar a natureza).
Esse método do tep-heseb no Egito faraônico se tornou logos (razão) na antiga Grécia, razão teorética (teórica), discursiva e experimental na Europa depois de Galileu Galilei e, com Descartes, a lógica das idéias claras e distintas. O Egito faraônico foi ainda o precursor de muitas idéias que os gregos desenvolveram, como, por exemplo, a imortalidade da alma.
[A relação intelectual entre o Egito e a Grécia]
“As possibilidades das relações intelectuais entre o Egito e a Grécia é um fato histórico [...] São os próprios gregos que reivindicam para os egípcios a invenção da matemática, da astronomia, do direito, das instituições políticas, da medicina, da teologia, das artes plásticas, da sabedoria, da filosofia, dos jogos sociais. O entusiasmo dos gregos para com o saber do Vale do Nilo transformou-se até numa legenda: todos os sábios gregos ainda que não tinha isso até lá acreditavam na obrigação de passar algum tempo de estudo no país dos Faraós. Isso demonstra a força de atração que o Egito representava para os intelectuais gregos. [...] Antes dos seus contatos com os egípcios, os gregos não tinham praticamente não tinham contribuído em nada no antigo mundo Mediterrâneo. Trata-se de uma evidência histórica. [...] A Grécia deve ao Egito os seus primeiros filósofos. O pensamento egípcio exerceu uma certa influencia sobre o pensamento grego da mesma forma com hoje as ciências e as tecnologias norte-americanas dominam o mundo inteiro. Na antiguidade a supremacia cientifica do Egito não tinha equivalente na Grécia. Mas a escritura da história da humanidade segundo as temáticas indo-européias exclusivas obscureceu voluntariamente os fatos que, noentanto são tão evidentes.” (Théophile Obenga. O Egito, a Grécia e a Escola de Alexandria).


 
Períodos da Filosofia Africana


1) Filosofia etíope e núbia caracterizada essencialmente por uma reflexão filosófica sobre grandes questões éticas
2) Filosofia egípcia faraônica, período em que se destacam quatro escolas: a Escola de Menfis, a Escola de Heliópolis a Escola de Hermópolis, a Escola de Tebes. Nesta escola se destacam grandes filósofos como Imhotep, Kagamnes, Merikare, Amenemhat, Amenhotep, Dualf, Anemope Akhenatem, que deixaram grandes sobras que influenciam o patrimônio filosófico atual.
3) Filosofia de Alexandria, de Cirene, de Cartago e de Hipona. Um dos mais famosos filósofos deste período é Santo Agostinho.
4) Filosofia Magrebina.
5) Filosofias das escolas medievais de Tombouctu.
6) Filosofia africana moderna e contemporânea.


Fonte: Revista de Filosofia. Editora Escala. São Paulo, Ano II, Nº14, páginas 58-59.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Guia de Profissões 2014: Filosofia

Guia de Profissões 2014: Filosofia infoENEm


Filosofia estuda a existência, o conhecimento, a verdade, os valores morais e estéticos, a mente e a linguagem. Se afasta da mitologia ao dar ênfase em argumentos racionais e se diferencia da ciência por não utilizar procedimentos e experiências sensoriais para investigação de seu estudo. A carreira do filósofo pode ser construída em instituições científicas, artísticas e culturais através de pesquisa e consultoria ou em projetos educacionais.
Em épocas de mudanças sociais e culturais, esse profissional também pode ser requisitado em jornais, revistas e telejornais para analisar notícias e mostrar ao público uma reflexão filosófica dos fatos sociais.
Para compartilhar sua vivência nesse curso, trazemos hoje uma entrevista com Vinicius Pintor, graduando em Filosofia na Universidade Federal do ABC (UFABC).

1- Por que escolheu o curso de Filosofia?
A escolha do curso se deu pela identificação que tenho com a área de estudo da filosofia desde o Ensino Médio. Não somente pelo conteúdo dado em sala de aula, mas por leituras, que mesmo de maneira indireta, abordavam os temas. Acredito que a identificação com o que se vá estudar na graduação deva ser o fator principal na escolha do aluno.

2- Na prática, sua visão sobre o curso mudou? Conte-nos um pouco sobre sua rotina.
Quando ingressei no curso, não sabia ao certo o que esperar, por isso creio que minha visão do curso se mantém, em especial a minha afinidade com ele. A rotina das diferentes matérias não costuma variar muito. Em resumo, escolhemos algumas obras de algum autor, as lemos e estudamos. Provas não são comuns, apresentações e trabalhos escritos sim. O curso possibilita atividades extracurriculares envolvendo docência, ou seja, dar aulas, seja como professor propriamente dito ou como auxiliar. Eu, particularmente, dou aulas de filosofia em um cursinho comunitário, a Escola Preparatória da UFABC, experiência que para mim é extremamente enriquecedora.

3- Quais os principais benefícios e dificuldades de fazer esse curso?
Acredito que o curso de filosofia vai muito além do estudo dentro do ambiente acadêmico. Ele oferece ferramentas para que o aluno tenha uma capacidade de análise crítica forte, tendo meios para se expressar com qualidade. A maior dificuldade talvez seja externa ao curso: o preconceito que infelizmente existe com quem opta por ser professor e, em especial, estudar filosofia.

4- Quais as principais características que você acredita serem necessárias para quem escolher esse curso?
O curso exige muita leitura e o ingressante deve estar ciente disso. Mas, em suma, não acredito que existam características necessárias além do interesse pelo conteúdo. Tudo o que for necessário poderá ser aprendido durante a graduação.

5- Gostaríamos que você desse dicas, conselhos ou qualquer outro tipo de informação que ajude nossos leitores a decidir seguir (ou não) a sua profissão.
Meu conselho é que o leitor com vontade de cursar filosofia não desista por pressões externas. Coloque sua vontade e bem-estar em primeiro plano. Oportunidades para um bom profissional não faltam, para qualquer área que seja.


Agradecemos muito ao Vinicius Pintor pelas valiosas dicas sobre a carreira de Filosofia.