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terça-feira, 5 de maio de 2015

Provérbios - Ética

Provérbios
Lúcia Gaspar Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco pesquisaescolar@fundaj.gov.br
Veja também a Atividade Pedagógica Provérbios!
Os provérbios são máximas ou sentenças de cunho moral sobre as ações humanas que nasceram da vivência e experiência popular. Expressam de modo conciso essa experiência acumulada pelo povo e ilustram a chamada sabedoria popular. São também conhecidos como adágios, ditados, anexins ou ditos populares. Existem em todo o mundo e são transmitidos de boca em boca, de geração em geração. Expressam, em suma, a filosofia popular de cada país. Foram selecionados abaixo alguns provérbios brasileiros bastante conhecidos:
Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Amor com amor se paga. Amigos, amigos; negócios, à parte.
A pressa é inimiga da perfeição.
 A ocasião faz o ladrão.
 A mentira tem pernas curtas.
Aqui se faz, aqui se paga.
Cada louco com sua mania.
Cada qual sabe onde lhe doem os calos.
Casa de ferreiro, espeto de pau.
Comer e coçar, é só começar.
Cão que ladra não morde.
Da discussão nasce a luz.
De médico, poeta e louco, todo mundo tem um pouco.
Deixa estar, jacaré, que a lagoa há de secar.
Desgraça pouca é bobagem.
Devagar com o andor, que o santo é de barro.
Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Dois bicudos não se beijam.
É melhor prevenir que remediar Em boca fechada, não entra mosca.
Em briga de marido e mulher, não metas a colher.
Em terra de cegos quem tem um olho é rei.
Falar é fácil, fazer é que é difícil.
Filho de peixe, peixinho é.
Gato escaldado tem medo de água fria.
Há males que vem para bem.
O justo paga pelo pecador.
Macaco velho não mete a mão em cumbuca.
 Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
Nada como um dia depois do outro.
 Nem tudo que reluz é ouro.
Nunca digas: desta água não beberei.
Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam.
Onde há fumaça, há fogo.
Para bom entendedor meia palavra basta Pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto.
Pimenta nos olhos dos outros é refresco.
 Quando a esmola é demais, o santo desconfia.
Quando um burro fala, o outro baixa as orelhas.
Quando um não quer, dois não brigam.
Quem ama o feio, bonito lhe parece.
Quem cala consente.
Quem canta seus males espanta.
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Quem desdenha quer comprar.
Quem diz o que quer ouve o que não quer.
 Quem dá aos pobres empresta a Deus.
Quem espera sempre alcança.
Quem não arrisca não petisca.
Quem não chora não mama.
Quem não deve não teme.
Quem sai aos seus não degenera.
Quem tem boca vai a Roma.
Quem tem rabo de palha não senta perto do fogo.
Quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho.
Quem é bom já nasce feito.
Quem é vivo sempre aparece.
Ri melhor quem ri por último.
Santo de casa não faz milagre.
Tamanho não é documento.
Um dia é da caça, outro do caçador.
Um homem prevenido vale por dois.
Um mal nunca anda só (sozinho) Uma andorinha só não faz verão.
 Uma mão lava a outra, ambas lavam o rosto.
Vão-se os anéis, ficam os dedos. Recife, 14 de dezembro de 2005.
 (Atualizado em 16 de setembro de 2009). Ilustração de Rosinha. FONTES CONSULTADAS: PROVERBIOS. Disponível em: <http://www.lifesabirch.org/proverbios> Acesso em: 12 dez. 2005. ROSSATO, José Carlos. Nosso folclore. São Paulo: Soma, 1987. SOUTO MAIOR, Mário; LÓSSIO, Rúbia. Dicionário de folclore para estudantes. Recife: Fundaj. Ed. Massangana, 204. COMO CITAR ESTE TEXTO: Fonte: Gaspar, Lúcia. Provérbios. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

Quando um burro fala o outro baixa as orelhas

Quando um burro fala o outro baixa as orelhas
• Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha. Este provérbio, de sutil complexidade, combina arrogância e modéstia em doses iguais. Recomenda reverente silêncio diante de quem fala. Mas quem o profere, põe-se no mesmo nível do ouvinte. Afinal, os dois são burros. Quem assim desclassifica o interlocutor, é o primeiro a admitir a mesma condição, reconhecendo, por caminhos paradoxais, que também é burro. Em resumo, tão logo o outro tome a palavra, abaixará as orelhas quem falou. A operação resulta, não em desclassificação, mas em ordenamento do diálogo. Entre tantas curiosidades que rondam o berço da expressão, é de se registrar que uma das mais antigas versões é bíblica. Balaão espanca o burro (em algumas versões é a mula) para que prossiga. Mas há um anjo no meio do caminho, visível somente ao animal. Na terceira tentativa, o burro fala, recriminando a teimosia do dono. O episódio está narrado em Números, o penúltimo do Pentateuco, como é chamado o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia. Bíblia e Pentateuco são palavras de origem grega: bíblos, papiro, papel; penta, cinco; teûchos, livro. O radical grego está presente também em biblioteca, designando originalmente caixa de livros. Qualquer intelectual pré-Gutenberg tinha como biblioteca apenas uma caixa com poucos livros. Livro e burro sempre foram associados a falar e ouvir. Um registro igualmente muito antigo está numa das narrativas de Fedro, o culto escravo do imperador Augusto que traduziu e reescreveu fábulas de Esopo. Numa delas, um burro encontra uma lira, tenta tocá-la e, não conseguindo, lamenta a sorte do instrumento, que em vez de cair nas mãos de alguém capaz de extrair suaves harmonias, foi topar justamente com ele, burro, que nada entende de música. Em outro autor latino, Luciano, um burro ouve lira e, parecendo entender, mexe as orelhas. Também Horácio, criticando espectadores de teatro, invoca Demócrito para dizer que, se o filósofo grego vivesse em Roma naquele período, se divertiria mais observando o público do que assistindo aos espetáculos, pois os autores pareciam contar suas histórias a um burro surdo. Como se vê, o autor lançou mão de uma dificuldade adicional, a surdez, com o fim de ampliar a ignorância dos criticados. O burro fala também em divertida estrofe de Bábrio, o poeta grego que pôs em versos várias fábulas de Esopo. Um burro sobe no telhado de uma residência e quebra muitas telhas. Quando o dono o castiga, ele retruca, sentindo-se discriminado: ''no outro dia, quando o macaco fez a mesma coisa, você riu''. Também Cícero perguntou: ''por que eu te ensinaria a ler agora, burro?''. Enfim, a metáfora que dá o burro como animal que simboliza por excelência a ignorância está presente em muitas outras línguas, de que é exemplo o ditado alemão: ''Man kann den Esel mit Atlasdecken belängen, er bleibt doch immer ein Esel'' (''pode-se cobrir o burro com um atlas e ele continuará sendo sempre um burro''). Mas coube ao escritor brasileiro João Guimarães Rosa, que sabia ouvir e entender, não estrelas, mas animais, reconhecer a sabedoria dos burros, como no conto O burrinho pedrês. Animais e homens filosofam sem parar em seus contos. Eis a justificativa: ''Como escritor, não posso seguir a receita de Hollywood, segundo a qual é preciso sempre orientar-se pelo limite mais baixo do entendimento. Portanto, torno a repetir: não do ponto de vista filológico e sim do metafísico, no sertão fala-se a língua de Goethe, Dostoiévski e Flaubert, porque o sertão é o terreno da eternidade, da solidão. No sertão, o homem é o eu que ainda não encontrou um tu; por ali os anjos e o diabo ainda manuseiam a língua''.
Para ajudar na compreensão filosófica do texto leia também " barulho de caroça".

Cidadania

O que é Cidadania
A origem da palavra cidadania vem do latim “civitas”, que quer dizer cidade. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. Segundo Dalmo Dallari:
“A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social”.
(DALLARI, Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. p.14)
No Brasil, estamos gestando a nossa cidadania. Damos passos importantes com o processo de redemocratização e a Constituição de 1988. Mas, muito temos que andar. Ainda predomina uma visão reducionista da cidadania (votar, e de forma obrigatória, pagar os impostos... ou seja, fazer coisas que nos são impostas) e encontramos muitas barreiras culturais e históricas para a vivência da cidadania. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada, acostumados a apanhar calados, a dizer sempre “sim senho?, a «engolir sapos”, a achar “normal” as injustiças, a termos um “jeitinho’ para tudo, a não levar a sério a coisa pública, a pensar que direitos são privilégios e exigi-los é ser boçal e metido, a pensar que Deus é brasileiro e se as coisas estão como estão é por vontade Dele.
Os direitos que temos não nos foram conferidos, mas conquistados. Muitas vezes compreendemos os direitos como uma concessão, um favor de quem está em cima para os que estão em baixo. Contudo, a cidadania não nos é dada, ela é construída e conquistada a partir da nossa capacidade de organização, participação e intervenção social.
A cidadania não surge do nada como um toque de mágica, nem tão pouco a simples conquista legal de alguns direitos significa a realização destes direitos. É necessário que o cidadão participe, seja ativo, faça valer os seus direitos. Simplesmente porque existe o Código do Consumidor, automaticamente deixarão de existir os desrespeitos aos direitos do consumidor ou então estes direitos se tornarão efetivos? Não! Se o cidadão não se apropriar desses direitos fazendo-os valer, esses serão letra morta, ficarão só no papel.
Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. A cidadania é algo que não se aprende com os livros, mas com a convivência, na vida social e pública. É no convívio do dia-a-dia que exercitamos a nossa cidadania, através das relações que estabelecemos com os outros, com a coisa pública e o próprio meio ambiente. A cidadania deve ser perpassada por temáticas como a solidariedade, a democracia, os direitos humanos, a ecologia, a ética.
A cidadania é tarefa que não termina. A cidadania não é como um dever de casa, onde faço a minha parte, apresento e pronto, acabou. Enquanto seres inacabados que somos, sempre estaremos buscando, descobrindo, criando e tomando consciência mais ampla dos nossos direitos. Nunca poderemos chegar e entregar a tarefa pronta, pois novos desafios na vida social surgirão, demandando novas conquistas e, portanto, mais cidadania.
ATIVIDADE
1. Qual a origem da palavra cidadania e o que significa?
2. Na Roma antiga, a palavra cidadania foi usada para indicar o que?
3. Quando o autor diz que no Brasil ainda predomina uma visão reducionista de cidadania, o que ele pretende dizer?
4. Para Dallari, o que é cidadania?
5. Para o autor, como é conquistada a cidadania?
6. Você exerce cidadania? Como?