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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Aspectos da filosofia de Santo Agostinho

Posted: 19 Jul 2015 06:00 AM PDT
Caso seja um aluno antenado, já deve ter percebido que conteúdos de filosofia e sociologia estão aparecendo bastante na prova do Enem, principalmente no caderno de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Que tal dar uma revisada num dos filósofos mais importantes da história? No artigo de hoje falaremos um pouco sobre o pensamento de Agostinho de Hipona, mais conhecido pela alcunha de Santo Agostinho, filósofo cristão que viveu entre 354 e 430 d.C.
Nascido em Tagaste, norte da África, região em que hoje se situa a Argélia, era filho de mãe cristã, porém se converteu ao cristianismo apenas depois de adulto, por volta dos trinta anos de idade. Tempos após sua conversão, tornou-se bispo de Hipona, o que dentro da estrutura religiosa da época era uma posição de destaque, a qual permitiu que seu pensamento fosse difundido. Dentre suas obras mais importantes, devemos citar “Confissões” e “A cidade de Deus”. Para entender o pensamento de Agostinho, devemos lembrar que, no período medieval, filosofia e religião estiveram intimamente ligadas, sendo a primeira influenciada pelo estudo dos filósofos gregos clássicos, como Platão e Aristóteles.
Um dos problemas filosóficos discutidos na obra de Agostinho é a existência do mal moral no mundo. Por mal moral devemos entender todo o mal causado pelo ser humano, aquele que não tem origem em fenômenos da natureza, como terremotos e erupções vulcânicas. Presente até hoje nas discussões sobre religiosidade, a crença em um deus onisciente, onipresente e onipotente pressupõem que este compactue com todo o mal moral existente. Porém, se o deus cristão é bom e onipotente, por que ele não age para impedir as más ações? Seria ele incapaz de impedir o mal, deixando assim de ser onipotente?
Bem, Agostinho abordou esta questão de duas formas. A primeira delas, ainda em sua juventude, baseava-se no maniqueísmo, vertente religiosa originada na Pérsia e difundida no Império Romano, cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o Bem e o Mal, forças antagônicas, uma pertencente à alma e outra ao corpo, em batalha contínua. Desta forma, em alguns embates o Mal vencia e, por causa disso, os males morais ocorriam.
A segunda maneira de encarar o mal moral ocorreu a Agostinho após a rejeição do maniqueísmo, já em idade mais avançada. Acreditando na onipotência da vontade divina, Agostinho justifica a existência de atitudes más a partir do livre-arbítrio, ou seja, da capacidade humana de decidir o que fazer. A argumentação é simples: Deus permite que ajamos de acordo com nossa vontade, podendo seguir seus mandamentos ou não; quando nos afastamos destes, cometemos males morais. Caso não houvesse livre-arbítrio, seríamos apenas marionetes, governadas por um ventríloquo todo poderoso. A partir da divisão do ser humano em parte racional e parte emocional, Agostinho argumenta que ceder às emoções é deixar a razão de lado, o que nos distancia de deus e pode nos levar ao mal. Por fim, Agostinho também acreditava que a existência do mal moral estava relacionada à escolha de Adão e Eva por comer o fruto proibido. Ao traírem o deus cristão, o primeiro casal de humanos trouxe o pecado ao mundo, transmitindo-o de geração em geração a partir do ato sexual.
Para complementar seus estudos sobre este autor e se preparar para as questões de filosofia do Enem, recomendamos a leitura do capítulo Agostinho: a razão em progresso permanente, disponível no livro Antologia de Textos Filosóficos, organizado por Jairo Marçal.
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