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quinta-feira, 23 de maio de 2019

Marielle Franco

Reflexão

Especialistas da ONU consideram alarmante assassinato de Marielle Franco

Para se entender a complexidade da morte da ex- vereadora Marielle Franco, achamos necessário para promover a reflexão entender o cenário político em que se deu os acontecimentos.
No fim de 2017 no Rio de Janeiro, o governo estadual após constatar que não estava conseguindo controlar os índices de violência, solicitou auxilio diretamente ao poder executivo, que requereu a intervenção das forças militarem a fim de assegurar a segurança pública.
Com tudo, esta medida que permitia a intervenção em âmbitos civis das forças militares foi contestada por grande parte da sociedade, e por isso foi criado uma comissão fiscalizadora, que tinha como um dos membros a ex-vereadora Marielle, que ainda em vida passou a denunciar todas as violências e abusos de poder cometidos pelos agentes militarem nas periferias do Rio de Janeiro.
Mariaelle era uma mulher negra, mãe e cria da favela Maré, formada em sociologia e com mestrado em administração pública. Ela foi eleita vereadora da câmara do Rio de Janeiro pelo PSOL com 46.502 votos, virando também presidente da comissão da mulher na câmara.
Trabalhou em organizações da sociedade civil, como centro de ações solidarias da Maré, coordenou a comissão de defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da assembleia legislativa do Rio de Janeiro.
Mas no dia 14/03/2018, ela foi assinada em um atentado com 13 tiros, matando também o motorista Anderson Pedro Gomes.
Após o atentado, o general Richard Nunes disse ao secretário de segurança pública do Estado que Marielle teria sido morta a mandado de milicianos, o motivo seria a crença que a vereadora poderia intervir nos interesses relacionados a grilagem de terras na zona Oeste do Rio que é a principal atuação do grupo.
Apenas para maior entendimento, a milícia se constitui por grupos armados irregulares formados muitas vezes por integrantes ou ex-integrantes das forças de segurança do Estado, como policiais bombeiros e etc.
A morte da Marielle, acarretou em diversas mobilizações não apenas nacionais, mas também internacionais, pois ela militava e defendia fortemente os direitos humanos e grupos socialmente marginalizados.
As pessoas afetadas indiretamente com a sua morte são as mulheres principalmente negras, LGBTs e jovens periféricas que se inserem ou não na política. Contudo, apesar dela ser vista apenas como uma heroína por muitos, para os seus familiares a morte dela é causa apenas de dor. Um exemplo disso, é que em uma reportagem em homenagem a ela, sua irmã diz que muitas pessoas gritam “Marille presente”, mas ela se questiona: presente para quem?
Ainda assim, Marielle será lembrada como um símbolo de resistência para comunidades marginalizadas historicamente no Brasil, pois ela foi uma extraordinária defensora dos direitos humanos, e sua morte denunciou internacionalmente os problemas enfrentados por grupos socialmente marginalizados mostrando que o que as milícias queriam de fato era silenciar ainda mais estas minorias e suas mobilizações.
Por fim, é necessário explicitar, que na eleição seguinte a sua morte os números de mulheres cis e trans com discursos semelhantes à da ex-vereadora, que foram votadas e eleitas cresceram significativamente, e que é necessário que as pessoas acompanhem e apoiem os seus mandatos e os seus feitos em vida, a fim de promover as modificações sociais necessárias para que os direitos humanos não sejam mais desrespeitados.

https://www.mariellefranco.com.br/quem-e-marielle-franco-vereadora

Artigos

Artigos.

RODRIGUES, L. Suspensa a obrigação da Samarco, Vale e BHP depositarem R$ 1,2 bi. Agência Brasil, jan., 2017. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-01/justica-suspendeobrigacao-de-samarco-vale-e-bhp-depositarem-r-12-bi>. Acesso em: 21 set. 2018.

TRUFFI, R.; CARDOSO, D. Auxílio moradia custa R$ 817 milhões à União. O Estado de S. Paulo, fev., 2018. Disponível em: <http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,auxilio-moradia-custa-r-817mi-a-uniao,70002176117>. Acesso em: 21 set. 2018.

ROSSETO, R. Reforma Trabalhista viola convenções internacionais, diz OIT. Estadão Conteúdo, jul., 2017. Disponível em: <https://economia.uol.com.br/noticias/estadaoconteudo/2017/07/11/reforma-trabalhista-viola-convencoes-internacionaisdiz-oit.htm>. Acesso em: 21 set. 2018.

RAMON, P. Ameaçados de expulsão indígenas resistem em reserva de São Paulo. Carta Capital, set., 2017. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/ameacados-de-expulsaoindigenas-resistem-em-reserva-de-sao-paulo>. Acesso em: 21 set. 2018.

BRASIL, C. I. Especialistas da ONU consideram alarmante assassinato de Marielle Franco. Agência Brasil, mar., 2018. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-03/especialistas-daonu-consideram-alarmante-assassinato-de-marielle-franco>. Acesso em: 21 set. 2018.

MARTÍN, M.; BERDINELLI, T. Assim o carnaval 2018 recuperou o espirito crítico com a classe política do Brasil. El País, fev., 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/12/politica/1518446814_565470.h tml>. Acesso em: 21 set. 2018.


Levantar para o debate:
a) O QUE ACONTECE: Quais os principais interesses envolvidos na problemática? Quem está sendo beneficiado? E quem está sendo lesado?

b) QUEM está ENVOLVIDO: Quais são as características, vulnerabilidades e potenciais desse público? (ex.: compreendem nossa língua e nossa cultura, acessam e são legitimados pelo poder público, os demais grupos e organizações sociais?); Os envolvidos estão em mesma condição de poder de decisão? (ex.: político, econômico, acesso aos órgãos de defesa direitos, apoio de outros grupos, pessoas e instituições); )

c) QUAL é o CONTEXTO: Quais direitos estão sendo violados ou efetivados? É um problema persistente ao longo da história desse público? Quais as características do momento em que o problema se desenvolve? (ex.: fatores institucionais, econômicos, sociais, políticos, educacionais, ambientais, culturais);

d) QUAIS são as CONSEQUÊNCIAS: Pensando no “efeito dominó”: quais desafios, problemáticas e agravamento da situação inicial são desencadeados?

f) QUAIS são as POSSIBILIDADES: O que acreditam que poderia ser feito para enfrentar tal problemática? Quais organizações, grupos ou pessoas podem ser acionadas? Têm legitimidade, poder de articulação e/ou decisão?

Privilégio x Meritocracia

EXERCÍCIO Prático sobre Privilégio x Meritocracia
1. Se os seus pais tiveram que trabalhar para além dos dias da semana, dê um passo para trás.
2. Consegue andar sem sentir medo de assédio sexual, dê um passo para frente.
3. Consegue demonstrar afeto pelo seu companheiro/a em público sem sentir medo ou violência, dê um passo para frente.
4. Já foi diagnosticado com alguma doença ou deficiência mental/física, dê um passo para trás.
5. Já sofreu vergonha por ser de fora da cidade de São Paulo ou do Brasil, dê um passo para trás.
6. Veio de um ambiente familiar que te apoiava, dê um passo para frente.
7. Já teve que mudar seu sotaque ou trejeitos para ganhar credibilidade, dê um passo para trás.
8. Encontra facilmente produtos para o seu tipo de cabelo ou cosméticos que sejam da cor da sua pele, dê um passo para frente.
9. Já teve receio do que podem falar sobre o lugar onde mora, dê um passo para trás.
10. Se cursou uma universidade pública, dê um passo para frente.
11. Já ganhou mais fazendo a mesma função que outros, dê um passo para frente.
12. Foi estimulado a frequentar museus, livrarias, teatros, saraus, eventos culturais, passo para frente.
13. Passou por preconceito porque não viveu em uma família-padrão (pai e mãe juntos), passo para trás.
14. Nunca sofreu assédio no trabalho, dê um passo para frente.
15. Sentiu que não foi contratado devido sua aparência, cor da pele, ou gênero, ou local de moradia, mesmo tendo qualificação para a vaga: passo para trás.
16. Sente que sofre abordagem policial mais violenta devido suas características, dê um passo para trás.
17. Pode ver um médico sempre que tem necessidade, dê um passo para frente.
18. Leva até 1 hora para se deslocar de casa para o trabalho e lazer, dê um passo para frente.
19. Se sentiu menor devido a função que exerce, dê um passo para trás.
20. Se você estudou a cultura ou história dos seus ancestrais na escola, dê um passo para frente.
21. Precisou de algum programa social para se manter ou estudar, dê um passo para trás.
22. Teve que trabalhar durante os anos de estudo, dê um passo para trás.
23. Seus pais ou responsáveis frequentaram a faculdade, dê um passo para frente.
24. No cotidiano, não sente a valorização de seu grupo étnico, sua orientação sexual, seu gênero ou deficiência, dê um passo para trás.
25. Teve que aceitar o baixo salário ou direitos trabalhistas negligenciados, dê um passo para trás.
26. Se você já sofreu bullying devido uma característica física, dê um passo para trás.
27. Se você já conseguiu um emprego concorrido por ser amigo ou familiar de alguém, dê um passo para frente.
28. Se algum dos seus pais já esteve desempregado, dê um passo para trás.
29. Percebeu que tem mais racionamento de água em sua região do que nas regiões centrais da cidade, dê um passo para trás.
30. Teve que omitir sua escolha religiosa (ou ateísta) por não se sentir seguro, dê passo à trás.
31. Teve (não foi uma escolha) que ajudar nas contas da casa ou nos cuidados dos irmãos, dê um passo para trás.


VOCÊ é privilegiado?
A cultura de privilégio a partir de dados de pesquisas que contemplam o cenário social de desigualdade.



"Um PRIVILÉGIO é, por definição, algo particular que não pode generalizar-se nem universalizar-se sem deixar de ser privilégio.

Uma CARÊNCIA é uma falta também particular ou específica que desemboca numa demanda também particular ou específica, não conseguindo generalizar-se nem universalizar-se.

Um DIREITO, ao contrário de carências e privilégios, não é particular e específico, mas geral e universal seja porque é o mesmo e válido para todos os indivíduos, grupos e classes sociais, seja porque embora diferenciado é reconhecido por todos (como é caso dos chamados direitos das minorias)” (CHAUÍ, 2007)6.